Quando a compra coletiva chegará no teto?

Quando a compra coletiva chegará no teto?

de Guilherme Neves

Em março de 2010 surgia o primeiro site de compras coletivas brasileiras. Em novembro, nasceu o 246º, segundo o blog especializado Bolsa de Ofertas.

Com audiência triplicada em um trimestre no Brasil, a compra coletiva tem suscitado a pergunta: até onde vai o crescimento desse nicho do e-commerce no Brasil?

“Ainda vai longe”, é a resposta de Alexandre Umberti, diretor de marketing e produtos da consultoria especializada em comércio eletrônico e-Bit.

Estatísticas de consumo apoiam a resposta. Atualmente, 23 milhões de pessoas têm feito compras online, contra 40 milhões que acessam ou movimentam a conta corrente pela internet.

Isso daria, segundo Umberti, uma margem de quase 100% de crescimento para o e-commerce no Brasil, uma vez que “a tendência é de maior familiaridade e confiança nos sistemas de pagamento pela web entre os internautas que já mexem no dinheiro pela rede”.

Além disso, dos 190 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, apenas 23% (41,7 milhões, conforme o Ibope) acessaram a internet em outubro. Do universo de usuários, 14% acessaram sites do gênero. Frente à população brasileira, a compra coletiva só chega a 2,95%.

“Os números mostram que não só a compra coletiva, mas o e-commerce como um todo, estão longe do seu teto no Brasil. Ainda há muito espaço para crescer”, completa Umberti.

Só base de usuários não basta
Segundo Umberti, os players desse negócio devem estar atentos ao equilíbrio entre cadastrados e ofertas para manter o serviço em bom estado. “Não adianta poucos cadastrados para muitas ofertas, assim como uma grande base com poucos promoções também não ajuda”.

Manter essa balança alinhada é fundamental para enfrentar as etapas seguintes do mercado de compra coletiva.

Conforme o executivo, o modelo ainda está no estágio de expansão no Brasil, com os sites competindo por cadastrados, se proliferando e digladiando pela liderança.

De outubro a novembro, três sites diferentes se disseram donos do mercado, a partir de métricas diferentes. O Clube Urbano (do norte-americano GroupOn) recorreu ao Seresa Experian e ao Alexa.com para dizer que era maior em audiência.

O Peixe Urbano se voltou para o Ibope – reivindicando 60% dos acessos da compra coletiva.

Já o ClickOn apelou para o número de cadastrados – 2 milhões – para se declarar líder.

“Nessa hora todo mundo quer ser top of mind para marcar terreno, é uma competição natural”, diz Umberti.

O ranking feito pelo Bolsa de Ofertas, blog especializado nas compras coletivas, coloca o Peixe Urbano na frente, seguido por GroupOn, Qpechincha, ClickOn, Imperdível, Clube Desconto, Oferta X, City Best e We Go. A base utilizada é o ranking da internet mundial do site Alexa.com.

Além disso, promoções a quem atrai novos cadastrados, bônus em reais para compras de ofertas e parcerias com sites que tratam do tema também são comuns, como estratégia de captação de novos clientes.

Toda essa disputa é a preparação do terreno para a consolidação, em que “os maiores tendem a comprar os menores, se fortalecendo mais”. Cenário que ainda está longe, prevê Umberti.

“Esse segmento é recente no Brasil. Ainda precisa conquistar muito mais a confiança dos consumidores”, avalia.

O modelo, que atrai pelos descontos de até 90%, se vale da compra por impulso para lucrar, “às vezes levando o usuário a comprar mesmo sem necessidade do item ou sem conhecer a origem”.

Estratégia que não deve mudar tão rapidamente.

“Até que a consolidação chegue, a expectativa é de que a briga por ofertas melhores continue, beneficiando o consumidor”, prevê Umberti.


Fonte: Baguete

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